Obras publicadas
A SERPENTE DE PEDRA
Impossível roubar as curvas da muralha da China.
É um conforto saber que o rasgo fino dos olhos
aprecia a textura impiedosa da caça.
Na verdade, eles pouco sabem sobre a cor.
Construída em horas tristes
dias incandescentes
a muralha agrega sementes
trazidas pelos pássaros
em tempos que o calendário não registra.
Há o consolo azul do anis
lembrando estrelas
e uma estrada sempre reta
que endireita a muralha.
Mas a muralha não é assim.
Segue os contornos imprecisos da garganta indócil
dos habitantes cegos de suas redondezas.
Nem isso consegue fazer esquecer o sabor
das especiarias tiradas das dispensas dos deuses.